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In Patre Simonem de Vasconcellos Societatis Jesu, ac Brasiliæ olim Provincialem meritissimum, Authorem; redigens ea que illius Chronica adeó eleganter continet, de gestis mirificê à Patribus ejusdem Societatis in ipsa Provincia, dum tot gentes Fidei splendore illustrant, á vitijs revocant, ad virtutem tranferunt, ab Orco extrahunt, Olympo restituunt, et sic tellurem Avernum olim, totam nunc vertunt in Coelum.

Dum calamo signas fraterna insignia, Simon
Assumens Orbis facta decora novi :
Hærere Heroes ad quæ sibi gesta videntur
An plausu hæc deceat nunc potiori coli?
Hos si prima manus, te respicit ultima: quodque
Pluribus incaptum conficis unus opus.
Illorum palmis Acheronta subegit Olympus:

Non nisi per palmas sed data palma tuas.
Quæ semel acta sibi, bis per te reddita: virtus
Incrementa tua percipit ipsa manu.

Quid mirum? Hinc cunctis si augeri, provenit, una
Hoc voce inclamat consona Terra Polo.
Usque ferax operum Scriptore hoc edita Tellus?
Prole pari felix additus usque Polus?

Emula Terra Poli, Terra Polus invicem: ut illam
Evocat ista quies, hunc vocat ille labor.
Defers tanta quidem Telluri encomia, cælo
Par vase at constet, quin prior illa tuo.
Se tali cælum cognomine prorogat: olim

Tanta creans, per te præstita quanta facit!
Non Vasconcellos, cum cælis vas es: et in te
Quem benè cellasti, jam patet Aula Poli.

Prohibio nosso Sanctissimo Padre Urbano VIII, por hum Decreto seu passado em 15 de Março de 1632; e confirmado em 5 de Julho de 1634, imprimirem-se livros de Varões celebres em santidade, e fama de martyrio, que contivessem feitos milagrosos, revelações, ou outros quaesquer beneficios alcançados de Deos; sem revista, e approvação do Ordinario: com tudo, como o mesmo Sanctissimo Padre em 5 de Junho de 1632, se explicasse no sentido seguinte, que não se admitissem elogios de Santo, ou Beato absolutamente, que caem sobre a pessoa, ainda que concedia poderem-se admitir os que caem sobre os costumes, e opinião, com protestação no principio, que os taes elogios não tenhão authoridade da Igreja Romana, senão sómente a fé que lhes dá o Author. O que supposto, protesto que tudo o que trato n'esta minha obra, entendo, e quero se entenda, na fórma dos sobreditos Decretos, e sua ultima explicação. Lisboa, 7 de Setembro de 1662.

Simão de Vasconcellos.

ADVERTENCIA PRELIMINAR

ÁCERCA DA PRESENTE EDIÇÃO

A progressiva e quasi extrema raridade a que teem chegado entre nós os exemplares da Chronica da Companhia de Jesu do Estado do Brasil, pelo Padre Simão de Vasconcellos, e o elevado preço a que subiram modernamente os poucos que a casualidade trouxe ao mercado dos livros (o ultimo de que sabemos foi, se não nos enganamos, vendido por 185000 réis), justificam de certo modo a preferencia com que o editor antepoz a publicação d'esta á de outras obras de nossos antigos classicos, que se propõe vulgarisar por meio da reimpressão. E tanto mais que esta Chronica continúa a ser procurada com avidez, quer em Portugal, quer no Brasil, como uma das mais notaveis e estimadas no seu genero.

Ninguem ousará negar que, á parte o espirito de exaggeração e piedosa credulidade, dominantes no seculo em que foi escripta, e de que o auctor mal podia ser exempto, esta obra não seja uma ampla e curiosissima fonte de noticias para tudo o que diz respeito ás primeiras conquistas e

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estabelecimentos coloniaes dos portuguezes na terra de Santa Cruz; á topographia do paiz; e ás trabalhosas fadigas dos primeiros missionarios na cathequese e civilisação dos indios. É innegavel o proveito que das narrativas do Padre Vasconcellos no periodo, em verdade nui curto, que ellas comprehendem, recolheram os que em diversos tempos se occuparam mais detidamente da historia do Brasil, como o antigo Rocha Pita, e o moderno Southey.

Rogado pelo editor para nos incumbirmos de dirigir esta edição, e o que mais é, da enfadonha e molesta revisão das provas typographicas, sentimos sobremaneira que a pressa que nos foi imposta, e a necessidade de conciliar este com outros encargos a que temos de attender, nos não deixasse livre o tempo de que careciamos. Cumpria fazer sobre a Chronica um estudo mais particular, e comparal-a passo a passo com os importantes trabalhos historicos de recente data, publicados, mórmente no Brasil, por illustrados contemporaneos. Poderiamos, mediante esse exame e confrontação appensar á obra as observações e reparos concernentes a rectificar alguns factos e datas, em que a critica moderna, apoiada nos documentos e provas authenticas, desconvêm das narrações do chronista; porém isto, que de algum valor seria, para obviar futuras preoccupações a leitores inexperientes, foi-nos de todo impossivel na actualidade.

Limitámo-nos portanto a reproduzir fiel e escrupulosamente, quanto em nós coube, a edição primitiva de 1663, e até agora unica, pelo que respeita á Chronica, propriamente dita; pois que das Noticias que a antecedem, houve segunda em 1668. Á primeira nos cingimos, sem nos permittirmos outra liberdade, que não fosse a de restituir alguns logares do texto, em que eram manifestas e evidentes as incorrecções typographicas: por exemplo, entre as paginas 128 e 129 d'aquella edição, onde em todos os exemplares que consultámos existe uma lacuna visivel. Completámos ahi o sentido, com as palavras que nos pareceu faltavam.

Fizeram-se tambem na orthographia assás irregular e anomala, como o è geralmente em nossas antigas edições, algumas leves mudanças, recla

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