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CHRONICA

DA

COMPANHIA DE JESUS

DO

ESTADO DO BRASIL.

DA

COMPANHIA DE JESUS

DO

ESTADO DO BRASIL.

E DO QUE

OBRARAM SEUS FILHOS NESTA PARTE DO NOVO MUNDO.

Entrada da Companhia de Jesus nas partes do Brasil, fundamentos
que nellas lançaram, e continuaram seus religiosos em quanto alli trabalhou
o Padre Manoel da Nobrega, fundador e primeiro Provincial desta
Provincia, com sua vida, e morte digna de memoria :

e algumas noticias antecedentes curiosas e ne-
cessarias das cousas daquelle Estado

PELO PADRE

SIMÃO DE VASCONCELLOS

da mesma Companhia, natural da cidade do Porto, Lente que foi da Sagrada
Theologia, e Provincial no dito Estado

SEGUNDA EDIÇÃO.

Accrescentada com uma introducção e notas historicas e, geographicas

PELO CONEGO DR.

Joaquim Caetano Fernandes Pinbeiro.

Mour

a

RIO DE JANEIRO.

TYPOGRAPHIA DE JOÃO IGNACIO DA SILVA,

Rua da Assembléa n. 91.

1864.

G

EL

A.93213

F

2528 V33 1864

INTRODUCÇÃO

Nenhuma instituição humana ha sido julgada com mais parcialidade do que a dos jesuitas: para uns foram elles a idealisação do poder catholico, o typo mais perfeito do ministro do Evangelho, n'uma palavra verdadeiros apostolos, como em sua apparição, os denominou o povo: para outros symbolisa o instituto de Loyola a falsificação da fé, o relaxamento das maximas da moral christã, a corrupção da disciplina ecclesiastica, quando exigiam-no os interesses de sua egoistica politica. Annuindo ao gracioso convite d'um amigo nosso, que incumbiu-se da nova edição da « Chronica da Companhia de Jesus do Estado do Brasil» pelo padre Simão de Vasconcellos, vamos, mais uma vez, emittir juizo sobre tão melindroso assumpto.

Exageradas nos parecem taes apreciações; e cremos que a verdade assenta-se aquí, como quasi em toda parte, no seu ponto de intersecção. Grave injustiça descobrimos na opinião adversa, bem como hyperbolicos encomios na que lhes é favoravel: houve no gremio da Companhia bons e máos individuos: houve santos, dignos d'apotheose christã, e entes desnaturados, que por seus vicios, e quicá por seus crimes, merecedores se tornáram das gemonias. Para julgal-os desapaixonadamente releva que som memos os beneficios e os damnos que de tal instituição provieram ao mundo, e, com a serenidade d'espirito com que fallava Tacito dos Othões e Vitellios, julguemos a obra do solitario de Manresa.

Após um lapso de nove annos, permanecemos nas ideias que professamos, quando endereçamos ao Instituto Historico e Geographico do Brasil o mesquinho trabalho que grangeou-nos a immerecida honra d'inscrever-nos em seus dipticos (a). Como então pensamos que no labyrintho da historia jesuitica servirá de fio d'Ariadne a divisão em duas epochas bem caracterisadas, bem distinctas: a dos sanctos e a dos politicos. Em Ignacio de Loyola e nos dois Franciscos (Xavier e de Borgia), acha-se a mais genuina representação do primeiro periodo : identifica-se em Claudio Aquaviva a expressão da segunda phase da existencia da Companhia, phase perniciosa, que desviando-a da pureza e sanctidade de suas maximas primitivas, arrojou-a no encapellado pelago das paixões e interesses humanos.

(a) Ensaio sobre os Jesuitas impresso no tomo XVIII da Revista do mesmo Instituto.

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