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ticas, para não dizer artisticas, porque as encontradas ainda não mostram a menor ornamentação. Mas seja como fôr, para taes substituições ou mesmo para um desenvolvimento material desta ordem, era necessaria a passagem de um lapso de tempo grande e só depois de mais este terceiro periodo, que se caracterisa pela occupação de urnas funerarias é que apparecem os Carijós na costa de São Paulo.

O erudito Dr Gomes Ribeiro disse: « Os Carijós, Guaranys de origem, habitantes da zona na epoca da conquista procederam em tempos remotos, dos territorios do Paraguay e da Argentina actual, e é provavel, senão certo, que d'ahi trouxessem artefactos calchaquis, como machados de cobre, chapas de ouro e o singular idolo de pedra de que nos occupamos. »

O mesmo presume tambem, que podia ser divulgadora da cultura peruana, ou calchaqui, a expedição de Aleixo Garcia ao Perú, authenticada pelo testemunho de Cabeza de Vacca e de Ruy Dias de Gusman.

Não ponho duvida n'isto em quanto aos machados de cobre, porque o unico, descoberto na nossa região, foi achado em um barranco do Rio Ribeira no logar denominado « Primeira Ilha », isto é, perto da cicade de Xiririca, e fora da zona dos sambaquis; porem para os zoolithos, até agora encontrados em São Paulo, as seguintes informações induzirão á convicção, que existe entre elles e os sambaquis uma relação reciproca :

O 1o morteiro por mim encontrado, tem a forma de uma canoa e foi achado no « Sambaqui do Cambicho » no Rio de Una da Aldeia. Existe actualmente no Museu de Dresden na Saxonia.

O 2o, em forma de tartaruga, achei-o proximo ao «< Sambaqui do Rocio », perto de Iguape e está no Museu de Vienna d'Austria.

O 3o, em forma de passaro de azas abertas, é o No 3 das estampas, foi encontrado por mim nas camadas inferiores do << Sambaqui do Pinheiro » do Rio Cordeiro.

O 4o, em forma de passaro de azas fechadas, é o No 2 das estampas, foi encontrado poucos metros distante do « Sambaqui do Saripóca », no Rio Pariquera-mirim, na occasião de fazer-se uma excavação para fincar um dos esteios de uma

casa.

Finalmente, o nosso idolo anthropomorpho, foi achado distante um kilometro do « Sambaqui do Morro Grande » e em uma região riquissima em casqueiros de todos os tamanhos.

Facilmente podia ter-se extraviado um machado de cobre que a equipagem de algum bandeirante trouxesse das regiões andinas, porém, o caso do ornitholitho N° 3, em combinação com as conclusões que resultam de um estudo cuidadoso dos sambaquis, permitte fixar uma opinião certa e segura sobre a procedencia dos zoolithos e sua origem ultra remota.

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